O silêncio que se faz presente em mim
Torna ausente toda a vontade de sentir dor
Porque em mim, silêncio mudo, cor de calmaria
Um não estar em paz, em si, dono do sono
Do sono doente que perdia
Então que venha a cavalaria!
E cruzem estes campos de sal
Sobre o sal, sob o sol
Pela febre que corta meus pulsos
Rio inquieto, gigante ante meu apelo
Como estrada sem fim onde eu corra
E então lembrar, sozinho
Que não sei voltar
E lá morra
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Live at Sin-é

Eu vivo em um mundo ideal
Os amigos que queria ter não existem
Eles vivem, morrem, se transformam
Como meus desejos escritos em bolhas de sabão
Tem dias que eu me sinto só
Outros dias, também
Vejo, enxergo, entendo
Compreendo a realidade que se faz presente ao meu redor
Mas nego viver num mundo sem eles
Eu gostaria que eles estivessem aqui
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domingo, 26 de abril de 2009
Esqueça-me as coisas todas.

Eu lembro, e justamente por isso, me humanizo na medida que sofro. Hoje, 26 de abril de 2009, ano do nosso senhor, me pergunto qual o limite para o direito de escolha. Parece confuso, afinal, ninguém acredita, ou quer acreditar, que o sofrimento é fruto de uma escolha. Eu começo a acreditar que é. Em uma das minhas tentativas desesperadas de cansaço induzido, li uma grafic novel muito famosa; Batman e a "Piada Mortal". Enredo interessante, trama justinha, um Batman 1/24 ávos gay... e uma questão interessante. Em um momento, o Coringa afirma o seguinte, falando sobre a memória: "...mas podemos viver sem elas? a razão se sustenta nelas, negar as memórias e o mesmo que negar a razão". Interessante. Segundo o Coringa, qualquer homem, desde que exposto à intensa dor, escolhe a loucura para aliviá-la, através do esquecimento. Parece um contra-senso. Devemos sofrer, e lembrar do que dói, para nos tornar mais humanos? E se sofrer for mesmo recordar, e se recordar for mesmo próprio da razão, então nosso parâmetro de realidade se baseia na dor. Simples assim. Se não doi, se não machuca, então é sonho, e sonhos só são sonhos porque não podem, e nem devem, ser reais. Onde, então, entra o direito de escolha? Bem... algumas pessoas escolhem a loucura. Evidente que só a minoria chega à niveis altamente nocivos, pelo menos aparentes, mas uma grande parte dos sofredores bloqueia lembranças, cria mundos de fantasia para refúgio, ou simplesmente se negam a crer no fato. Digo fato porque verdade é um conceito muito relativo. Domingo, 3 da madrugada, acabei de assistir "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Eu sei que o filme trata das "dores do amor", e que a questão é muito mais densa que isso, mas de certa forma, a trama passa sobre um aspecto interessante do ato de sofrer. Não vou contar o filme, recomendo muito, assistam, mas para o que eu quero dizer, basta que saibam que depois de uma desilusão amorosa, o Jim Carrey resolve "apagar" a Kate Winslet da memória. No meio do caminho ele se arrepende (eu também me arrependeria) e começa desesperadamente a lutar contra o esquecimento. Ele corre de mãos dadas com ela por entre lembranças que vão dissolvendo. É uma figura bonita, mas prefiro falar do significado. Em alguns casos você quer lembrar, mesmo sabendo que dói. Porque? Não sei, isso talvez ninguem saiba, apenas sinta que deve ser assim. É como os antigos bábaros que se orgulhavam de suas cicatrizes de batalha. Talvez lembrar seja o mesmo que dizer "eu venci, podia ter perdido, mas venci". Pela força de vontade, rijeza de espirito ou pura sorte, você venceu. Venceu? Talvez a dor tenha fugido e se escondido em algum lugar escuro da memória, só esperando o momento certo de voltar e atacar. Nesse caso, você lembra porque institivamente sabe que tem que ficar alerta. Sofrer pelo passado torna presente uma monumental perda de tempo. Acabou, passou, não tem mais sentido... o barco navega até a água corroer a madeira, e tudo afunda no oceano do esquecimento. Mas se você sofreu, e chorou, uma lágrima afunda junto com você.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
Escrevendo com o Seal

Eu te comparo com a voz que me chama, e me guia, quando estou preso em um quarto escuro. Perdido, tateando as paredes, percebo a umidade e sinto frio, mas mesmo imerso, afogado na falta de luz, consigo ver um par de olhos e os sinto.
Já não há medo, nem motivos, nem desculpas. Só há claridade pálida de um sorriso que convida a caminhada e traz para mim o amanhecer. Ainda vejo os olhos, que antes confortavam, agora queimam e me põe correndo em uma estrada sem fim dentro do teu corpo, até chegar ao coração para descobrir que nunca estive lá.
Eu quero sair daqui! As minhas unhas sangram, mas isso é só um lembrete que eu não posso derrubar paredes aos arranhões. Mas insisto, e grito, e tua voz guia agora persegue, e como juiz e carrasco, grita, e meu corpo febril, fenece.
E falece... eu não consigo acordar, apenas corro de ti, mas sempre sou encurralado num beco sujo e molhado. Entre eu e a saida, teu sorriso viciado que me apela, me seduz, então o que ameaçava, agora conduz, a mim e meus medos pelas veias da dor.
Ela me ama. Preciso sair daqui...AGORA!
Hoje de noite

Hoje à noite
Sabem dos medos, as horas
E meus minutos de angústia serão infinitos como os grãos de areia
Das praias por onde eu andei só
Os minutos serão como o metrô que espero na estação
E quando ele chegar
Mil sóis irão girar ao meu redor
Então serei o centro do universo
E tudo será mágica e dança
E como criança, meus lábios irão brincar
De assoviar velhas canções de guerra
De maldizer antigas promessas de amor.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Escrevendo com David Gilmour

Para efeito, escrevo esse post ouvindo Island Jam, do universalmente f%#@ David Gilmour, o guitarrista mais melódico do sistema solar.
Meninos e meninas, recomendo.
Um minuto sobre o amor. O dia tem 24 horas e nossas vidas tem outras tantas [mudou a trilha! escutem Seal - Kiss from a rose, mas David ainda está no meu coração], voltando da digressão, vi meu reflexo no vidro da vitrine. Vejam! Anoiteceu e a rua está cheia de gente passando atrás de mim, posso ver o reflexo delas também, mas enquanto eu fico parado, em frente à vitrines, com um sorvete na mão, observando reflexos, estas pessoas passam apressadas. Estão vivas, logo vê-se, e a julgar pelas expressões afobadas, diria que são felizes, que amam, que sofrem com a saudade de alguem que partiu e não vai voltar [o video carregou de novo, voltemos ao David], onde eu estava? falando de partidas? bom seria se estivesse falando das de futebol, mas falava mesmo era do adeus, o gracioso adeus das manhãs chuvosas, quando você se empacota todo num moletom azul e vai para aula. alguém passou de moletom atrás de mim, deve estar voltando da aula. O que há atrás do meu reflexo, além do desejo de parar o tempo na fragilidade do vidro? Televisões...
Agora estamos todos num concerto só. eu, o entardecer as seis e meia, as pessoas com pressa, nossos reflexos e a vontade de viver eternamente num programa da MTV, com pessoas bonitas e musica boa (musica boa na eMoTV? tudo bem, gente, é só um post).
E como sempre diz o vô de um amigo "a vida não é novela", então imagino que deva servir também para MTV e lembro do meu sorvete, que agora está derretendo, agonizando ante minha negligência de observar a vida pelo reflexo da vitrine e esquecer de absorve-lo em mim.
Bobo. É isso que dizem de mim, acredito. Assim como acredito que ela deve ter pensado a mesma coisa. Passou atrás de mim, me olhou no olhos do reflexo e sorriu. Eu não pude pensar em nada mais sensato e virei o rosto para ela, mas ela ja estava longe. A vi de costas entre outras pessoas esquecíveis.
Sinto algo estranho no sapatos, meu sorvete caiu.
Enjoy Gilmour!
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Quanto você aguenta?
É isso mesmo. qual o seu limite? sem dúvida não é o mesmo que o meu, talvez mais, talves menos. Até onde você vai? de que jeito? o que te importa?
Diz para você mesmo, que para mim não faz diferença. Não que eu não me importe com você, não é isso. Simplesmente eu não posso fazer nada para te ajudar quando você chegar lá.
Chegar onde? No seu limite... no fim de tudo, que por isso mesmo, não passa de um começo disfarçado.
Até onde você consegue ouvir uma música e não se emocionar? ah! você não se emociona com música? até quando você consegue assistir um filme, seja ele curta, média ou longa, e não sentir vontade de pegar uma câmera e sair filmando seus impropérios? o que? você não sabe o que é impropério?
Nós dois iremos morrer, isso é fato. Quem de nós dois viveu?
Diz para você mesmo, que para mim não faz diferença. Não que eu não me importe com você, não é isso. Simplesmente eu não posso fazer nada para te ajudar quando você chegar lá.
Chegar onde? No seu limite... no fim de tudo, que por isso mesmo, não passa de um começo disfarçado.
Até onde você consegue ouvir uma música e não se emocionar? ah! você não se emociona com música? até quando você consegue assistir um filme, seja ele curta, média ou longa, e não sentir vontade de pegar uma câmera e sair filmando seus impropérios? o que? você não sabe o que é impropério?
Nós dois iremos morrer, isso é fato. Quem de nós dois viveu?
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Saudade 2

Para Vanessa ;)
Do que sentimos falta? se falta é ausência, é possivel sentir algo que não está aqui?
Sentir a falta, mas se falta, o que sentimos? Uma imagem? um aroma? um som?
Uma ausência? uma querência? ou ardência? de qualquer modo, é nos olhos que choram e no peito que dói que o vazio se torna mais denso e pesado que o ar das noites de chuva em cidade grande. E como é grande... as vezes me perco, ou me acho em algum lugar que desconheço, e como não há, nessas horas de vertigem, coisa mais sensata, a gente procura um banco e senta nele para chorar só, baixinho, em silêncio.
Depois você cansa, levanta os olhos e observa o parque. São crianças, bicicletas com rodinhas, casais, vovós caminhando, enfim, tudo o que um parque deve ter, então você se sente em paz, depois você dança. Sozinha? Talvez...Desde que aceite a vontade de não ser solitára como parceira, nunca estarei só, porque nunca quis ser sozinha, e lembrando de um rosto sorrindo com o canto da boca, faço-me dois, mas a alegria que sinto são mil, como as gotas de chuva que começaram a cair sobre as lentes dos meus óculos.
Caminho, mas não procuro abrigo, nem amigo, nem senteça, quero apenas uma presença! uma brisa qualquer, errante que por engano traga a mim o cheiro dos teus cabelos molhados de chuva, desalinhados, caindo pelo teu rosto, encobrindo teu sorriso infantil, escondendo teus olhos perdidos, e eu te abraçaria! e te faria lembrar que noites de chuva são como amores doentes, que ardem em febre e adormecem com o poente. Depois é tudo calmaria.Mas aqui ainda chove.
Quando não havia mais ninguém nas ruas, me senti completa. Tive a cidade só pra mim enquanto o céu desabava sobre todos. Sobre mim só caíram lágrimas, não chove pelo acúmulo de água no céu, chove pelo acúmulo de mágoa em mim. Me sinto só, queria que você estivesse aqui.
Parei alguns instantes em frente à um bar, algo na televisão me chamou atenção. Era o final de um filme de amor. Não tenho um "felizes para sempre". enquanto sinto falta minha história não termina.
E caminhei mais um pouco...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Destraço, destroço, remorso? Nããããããoooo...
Para o inferno toda as minhas poesias fofinhas
Dessa vez eu escrevo ouvindo grind core
Um som bem sujo e mal
Mal...
Dor, destruição, tristeza
Mas não do jeito fofinho
é gritando! e muito! e sangrando
e sangrando muito! e morrendo
No meio de todo mundo
Ai você imagina, seu verme estúpido
Você tá morrendo
Agonizando QUE NEM PORCO E NIGUÉM TE ESCUTA
Ai olha que legal, teu sangue escorre pelo ralo
E ninguem tá nem ai
Morre sozinho
Destruição completa, eu quero violência!
Muita!
Dessa vez eu escrevo ouvindo grind core
Um som bem sujo e mal
Mal...
Dor, destruição, tristeza
Mas não do jeito fofinho
é gritando! e muito! e sangrando
e sangrando muito! e morrendo
No meio de todo mundo
Ai você imagina, seu verme estúpido
Você tá morrendo
Agonizando QUE NEM PORCO E NIGUÉM TE ESCUTA
Ai olha que legal, teu sangue escorre pelo ralo
E ninguem tá nem ai
Morre sozinho
Destruição completa, eu quero violência!
Muita!
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Quarto de hotel.

Eu estava sozinho quando atravessei o Parque do Governador em direção ao Hotel Imperador, bem localizado no centro da cidade, uma parte antiga que ainda conserva ruas de pedras portuguesas e trilhos de bondes. São noites quentes essas noites de fim de ano, talvez não tão quentes quanto as garotas que se arrastam pelas paredes das vielas, mas com certeza mais quentes do que o coração dos cidadãos de nariz empinado que circulam por aqui com suas roupas bem-cortadas, seus faustos e soberbas, que de tão falsos poderiam desmanchar-se e escorrer pelos bueiros quando caisse sobre todos nós, eu, as garotas e os pomposos, as redentoras chuvas de verão.
Parei em frente a fachada do hotel. A calçada ainda estava molhada e não havia ventos, só um trânsito caótico e muitas pessoas aceleradas, e eu já não via tudo como todos, as via ainda mais embaçadas do que de fato são. -O que posso fazer? lamentar? Não... Quem sabe mais tarde, agora eu tenho coisa melhor pra ocupar-me o espirito-. apalpei o bolso da blusa para garantir que não faltariam cigarros. Eu os tinha, e como não houvesse mais pretextos para protelar meu encontro, olhei ainda pela ultima vez todo o mundo miserável que me cercava e ao hotel, um parque, uma rua, várias lojas de roupas, bares, pessoas fazendo compras para o natal cheias de sacolas, mendigos, prostitutas, bêbados, estudantes, cansados, empregados e desempregados, infelizes, amantes e não-amados e um louco.
Sim, é mesmo uma pena que esta cidade tão patética tenha apenas um louco para fazer-me a corte. Eu lhe fitei os olhos com profundidade, buscando seu começo, o segundo exato onde iniciou-se a cruzada contra sua própria alma iludida, e nada vi que não fosse mentira, cuidadosamente medida para não deixar revelar o caminho para a libertação. O louco sorriu para mim e estendeu-me o chapéu, mas não queria dinheiro, queria algo mais nobre.
Cumprimentei o porteiro, senil que pouco incomodava-se com meus motivos, somente entregou-me as chaves e disse - Boa noite-. Abri a grade do elevador, enferrujada mas com muita história, afinal, em seus tempos auréos, quantas moças distintas de familias tradicionais não teriam esquecido seus modos. e suas luvas brancas, com rapazes igualmente fortuitos, dentro das quatro paredes que sobem e descem, como acontece a moralidade, ao sabor da conveniência.
Deparei-me com um longo corredor mal-iluminado, e após atravessá-lo, finalmente, o quarto 27.
Luz fraca, papel de parde verde-grená gasto, carpete, cama velha e uma pequena televisão de 14 polegadas. Fui até a janela, e com algum esforço a fiz correr para que entrasse um pouco de ar. Sentia-me abafado pela noite e pelo medo, uma angústia impertinente fazia-se presente e pus-me a olhar para o passeio, afim de que esquecesse de contar o tempo. Começou a chover, todos procuravam se abrigar e subitamente vi a rua esvaziar. Mal tive tempo de admirar a beleza da preciptação quando uma querela desviou-me a atenção. Dois homens brigavam em frente á um dos bares próximo ao parque, discutiam a plenos pulmões mas não pude distinguir que ofensas trocavam, e sem mais, um deles caminhou até o carro, abriu a porta do motorista, e debaixo de chuva sacou um revolver, atirou 4 vezes, entrou no carro, deu partida e desapareceu.
Juntaram curiosos, evidente, e dentro de poucos minutos o sangue escorria pelos pés daqueles que contemplavam o fim.
Noite de sexta-feira... um morto legitimado pela intolerância e vários pela mediocridade, contudo, estes também completamente sem vida.
Caminhei até o pequeno banheiro, azulejos azuis velhos e uma torneira de pia enferrujada. Molhei meu rosto com generosas doses de água gelada. levantei o rosto e fiquei alguns segundos observado meu rosto, e mesmo através do espelho manchado, pude ver que havia envelhecido, e sem saber o motivo.
Foi quando ouvi girarem a maçaneta.
Voltei para o quarto e a vi, parada, molhada, me olhando, principiando pranto... continuava linda, cabelos ondulados num tom infantil de castanho, os olhos ainda bem verdes, o que contribuia sobremaneira para que seu olhar fosse amoroso, velado e sombrio.
Olhar para ela era como voltar ao passado, quando passava as noites usando drogas, correndo com o carro e partindo corações.
Ela sentou-se na cama e olhava para o nada, e o nada estava no chão. Sem saber se devia abraça-la ou bater-lhe a face, fui para janela.
O que se passou a partir desse momento, e que reproduzo agora com alguma fidelidade, não é digno de piedade, mas de cautela, nenhum vivente está seguro de certas dores.
Ela iniciou o diálogo;
-Soube que estava na cidade... porque voltastes?
-Não o querias? pareces desapontada. Mas não aflinjas teu coração, que a partida é certa e não demoro á desaparecer entre os carros e estas gotas de chuva
-Não compreendestes... o que me aflinge o coração é ter que ver-te aqui, ao alcance dos meu lábios, e não saber se devo me entregar a tal promessa de felicidade, porque caiu a noite e sei bem do teu gosto pela fuga.
-Não fugirei desta vez, irei embora assim que tudo estiver terminado.
-Não me respondestes, porque voltastes?
-Precisava pagar minha dívida contigo
-A mim não deves nada...
-Devo, e vim de longe para pagar-te, e antes que o sol nasça novamente, nada mais terei que ver contigo.
-Então viestes para partir?
-Esperavas o que?
-Que ficasse...
-Contigo?
-Sim... se for de teu agrado, após estes anos, ainda me amas?
-Não vim tratar de amor, ou do que quer que seja essa mania estúpida de iludir-se diariamente.
-Não fale assim, tu não eras amargo, o que te aconteceu de tão doloroso para que ficasses assim, com medo de mim?
-Não a temo!
-Não?...
Ela levantou e veio até mim, aproximou seus labios do meu rosto, e por mais que eu quisesse resistir, não pude.
-Se não me temes, porque desvias o olhar?
-Frio...
-Numa noite de verão? Estranho... Eu sinto calor
-Escute... vim apenas dizer-te...
-Não o diga! esquece o tempos idos, tudo pode acabar hoje para que recomeçamos
-Tu não entendes! eu preciso que saibas que...
-Não! Já disse! cala-te a boca e acalma-te o espirito que a felicidade é vindoura. Eu tenho amado em silêncio todo esse tempo e te esperei! Tu voltastes! Já não há nada que impeça o que deve ser consumado. Numa única noite tuas cores todas misturaram-se em uma miscelânia de gritos e sonhos tortos, que te deixaram cicatrizes mas te serviram de mestre e te guiaram pelo bosque da neve eterna quando tinhas fome! Mas acabou, meu amor... Eu te amo como amo a mim e a todos, amo mais do que seria possivel ao sol brilhar e menos do a beleza ingênua dos teus olhos merecem. Volta, meu anjo, volta que tuas mechas de cabelo desajeitadas serão meu sorriso quando acordar amanhã e te ver dormindo ao meu lado...
-Precisas saber... precisas! Há 4 anos nós estavamos juntos, era noite de natal, lembra? Exatamente neste mesmo quarto, há 4 anos, nós estivemos juntos pela ultima vez e tudo era dor e desespero, fugiamos de nós e do mundo e queriamos imensamente matar uma sede que jamais seria aplacada ainda que pudessemos beber todo o oceano. Eu te amava demais, mais do que seria recomendável para manter-se neste plano viciado de viver juntos, partilhando coisas, brincadeiras, sentenças de adeus... Como?! Diga-me como eu poderia ficar depois daquela noite, disseram-me...
-Meu bem, não precisas dizer, acredite, já não se faz mais necessário
-Brigamos... eu te magoei... não queria
-Esquece...
-Saiste atordoada, nervosa...
-Esquece...
-Disseram-me "morta"
-Esquece...
-E agora...
-Eu te amo
E beijou-me longamente, e já não ensaiava mais resistências, nem as queria... fiquei absorto e fui inocente novamente.
Chovia...
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
On the roof

Nós estavamos lá e sentiamos frio
E por mais que fechassemos os olhos
Tentando infantilmente não ver
O que desespera lentamente
E calmamente, pá após pá
Terra sobre terra e sobre terra uma flor
E sobre nós e a flor, chuva.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Coração
o meu coração tem vergonha e me obriga a desmanchar em verso
ferida brava e feia...
o meu coração anda doente e sempre seguindo pelo lado errado,eu bem que penso:hoje ele aquieta!mas não,teima!
Insiste comigo que agora era hora de arroubos,ah coração bandido esse meu,quer-me na desgraça feita, rainha doida de todo desengano coração desumano,mesquinho,suicida,tem piedade de mim por favor...dái-me luz só o quanto agüento que nem poesia eu escrevo mais!
ai coração nem me alimento,é tanta fome que nem sinto mais,a sede o barro seco saciou, ficou essa tristeza no meu peito,ai meu coração,eu tenho um defeito,me apeguei a ti como coisa feita,e te assisto me estraçalhar em praça pública achando lindo,achando graça,e eu no chão,sem roupa exposta,as costas as marcas de quem pisou,mas pisa mais coração que aqui é tudo teu...bebe um pouco do meu sangue também,isso... aqui no pescoço...só peço que por favor note,que mudei de perfume.
ferida brava e feia...
o meu coração anda doente e sempre seguindo pelo lado errado,eu bem que penso:hoje ele aquieta!mas não,teima!
Insiste comigo que agora era hora de arroubos,ah coração bandido esse meu,quer-me na desgraça feita, rainha doida de todo desengano coração desumano,mesquinho,suicida,tem piedade de mim por favor...dái-me luz só o quanto agüento que nem poesia eu escrevo mais!
ai coração nem me alimento,é tanta fome que nem sinto mais,a sede o barro seco saciou, ficou essa tristeza no meu peito,ai meu coração,eu tenho um defeito,me apeguei a ti como coisa feita,e te assisto me estraçalhar em praça pública achando lindo,achando graça,e eu no chão,sem roupa exposta,as costas as marcas de quem pisou,mas pisa mais coração que aqui é tudo teu...bebe um pouco do meu sangue também,isso... aqui no pescoço...só peço que por favor note,que mudei de perfume.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Ponto absoluto

Preste atenção nos sinais de amanhã
Nos avisos que ecoam entre mendigos
É além da vontade o querer dormir
Não me falam a verdade do gosto
Nem do rosto que insiste em mentir
Já me basta o sentido sem nexo
O reflexo da luz do farol
Não há vida em águas passadas
Nem tensão semi-tom bemol
Não chora o maldito gentil
Árvore senil mas frondosa
Manca teus sonhos caducos
Queima os olhos que teimam abrir
E sorrir é parada de tempo
Mas lamento é ausência sem fim
Quem me conta o fim do conto?
Sem fadas, amadas, odiadas, minhas fadas
Entrada sem volta nos caminhos do mal
Afinal, o que importa no lago sem cor?
Me diz, seu porco! quem te fez tão fatal?
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Jeff Buckley

Não pretendo escrever uma mini-biografia, portanto me perdôem a falta de detalhes da vida pessoal do não-biografado.
Também acho desnecessário escrever sobre a carreira do dito-cujo, basta saber que foi meteórica como toda carreira de promessa de salvação da música que morre cedo e vira mito deve ser.(cadê a virgula, Paulo Sarges?)
O que eu vou escrever sobre Jeff Buckley? Porque?
Pode parecer pretensão e talvez até o seja, mas escrevo sobre o Sr. Buckley porque depois que conheci seu trabalho eu tive a certeza que componho músicas de excelente qualidade, ao menos para mim. Eu nunca havia ouvido algum trabalho fonográfico de sucesso, leia "mainstream", que assemelhasse (é assim mesmo que escreve Cel? desculpa o parêntesis.Péra aê! "parêntesis" termina mesmo com "i" ou termina com "e"? ahhh gramática... há quantas me obrigas!) ao meu.
Jeff Buckley foi sem dúvida para o cenário musical um alívo, ainda que suas músicas não tenham conseguido o êxito dos grandes lixos ou gênios,e isso não significa que ele não tenha sido genial, acredito que se tivesse tempo, Buckley teria entrado para o hall do mestres da música, seu trabalho era extremamente original para época, prova disso é que suas composições influenciaram muitas bandas de sucesso de hoje em dia, como Coldplay, Travis e Muse. O som deprimente misturado com riqueza mélodica e algum "overdrama" que atualmente toca nos mp3 players da juventude moderninha e descolada já encontrava eco no coração de uma geração vazia e orfã do Kurt Cobain e seu "I wanna die"
O ano era 1994, depois do fim do Grunge, coube a Eddie Vadder e Billy Corgan, Pearl Jam e Smashing Pumpkins, respectivamente, assumirem a responsabilidade de embalar as "fossas" e crises existênciais da molecada.Jeff Buckley surgiu neste mundo mânco, seu único album em vida veio recheado de canções simples, dessas de pedir na rádio, mas muito tristes.Aliadas à potência, técnica e sinceridade do canto de Mister Buckley, essas músicas marcaram uma época e até hoje "Grace", "Forget her", "So real" e "Halleujah" deprimem e emocionam muita gente. Recentemente eu tive o enorme prazer de ouvir Jeff Buckley, assistindo ao clipe de "Grace" no YouTube e observando a beleza tocante de uma angústia cristalina nos agudos de Jeff, me senti feliz ao descobrir que eu não sou solitário por compor tudo em escala melódica menor, sempre abusando dos graves e das tensões.
Ele era fim de tarde na praia, era blue, he was a pretty sad boy...
Deixo o clipe de "Grace".
Espero que gostem.
Enjoy it!
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Cinema.

Domingo a noite você pensa " pode ser pior?", bem...Pode, mas em alguns raros casos o domingo a noite pode ser fonte de inspiração para desabafos muito bons.
Evidente que quem se presta à escrever poesias em um blog não se limitaria apenas a descrever os fatos.
Esses tempos tem sido tempos complicados, não reclamo, a vida costuma ser do jeito que dá e resmungar quase nunca ajuda (ao menos para mim), em todo caso, mesmo com tudo em cima das costas e levando uma vidinha resignada de quem já nem acredita que "amanhã vai ser melhor" mas gostaria bastante que o fosse, tenho meus momentos de fuga e desejo.
O ultimo foi quando soube da estréia do novo filme do Batman. Assisti todos os filmes, tenho lembranças muito bonitas (melancólicas?) com os dois primeiros filmes, o terceiro
filme da série eu assisti em uma época muito estranha da vida e o seguinte, na minha singela opnião, foi um fracasso que não faria falta (desculpa Arnold...).
Batman Begins foi um bom filme, mas ainda não deu tempo de ter um opnião sobre ele, desde a primeira análise até esta que faço agora tenho a mesma impressão do filme;É um filme sobre história em quadrinho muito comum.
Não se trata do personagem nem dos filmes, esse post trata de uma noite de domingo, lembram?
Calça jeans, all-star preto, blusa (preta) lisa tipo Hering e um casaco (alguém advinha a cor?), andando ladeira abaixo em direção ao cinema, domingo a noite. Ruas desertas a não ser por um ou outro grupo de pessoas conversando na porta de suas casas (interior ainda tem disso... e faz falta), como não havia um único carro em movimento, passei pelos sete quarteirões ouvindo a mistura curiosa de vento, pessoas falando da vida e ao fundo, o som da tv (a voz metallica do faustão, cara... só depois que ele morrer nós vamos perceber o quanto ele faz parte do domingo, gostando dele ou não).
Alguns quarteirões antes do cinema fica o terminal central urbano. Muitos ônibus em movimento, muitas pessoas paradas esperando os tais ônibus em movimento pararem também.Muitas luzes, engraçado é que até aquele dia eu nunca havia reparado o quanto o terminal urbano é iluminado.Agora vale algumas notas sobre o cenário dominical do terminal urbano: Como era domingo a noite haviam muitas pessoas chegando e saindo de lá, mas todas muito bem vestidas com.. como é que chama mesmo? roupa de domingo. Uns de terno (evangélicos) outras de saias longas (advinhem...), casais de namorados que iam para a praça, voltando da missa, todo mundo bem composto, exalando lavanda (alguém lembra?). Gente fumando sozinha num banco esperando o ônibus chegar para levá-los embora das luzes, pessoas conversando mas, estranho, não lembro de ter visto alguém feliz por lá...
Mais dois quarteirões, nada de especial, cá estou! Bem em frente ao cinema. E agora algumas nothas (aprendi com o Millor) sobre o cinema: Prédio antigo, daqueles todo revestido com milhares de quadradinhos coloridos, esquadrias de mandeira, estava (e está) bem conservado mas mantêm o aspecto "década de 50". O letreiro ajuda também, é em neon dos anos 60, "ultravisão", esse é o nome do cinema (prometo tirar uma foto e colocar aqui).
Dentro do prédio a decoração é bem moderna, com telões, mesas de lounge bar, bomboniere e outras coisas legais que tem em cinema, achei legal esse constraste, lá fora eu me sentia dentro do "poderoso chefão" ou em um filme noir com aquele ar bem blasé, mas dentro eu me sentia em Seattle ou no antigo SuperSônico, uma lanchonete muito legal que tinha no Rio de Janeiro (que continua lindo, sim senhor.) no fim da década de 80. Mais algumas notas? sim! dentro do hall tinha uma coisa que merece nota: O fliperama! Eu adoro fliperamas, são uns dos poucos lugares que conseguiram através dos tempos manter a aura de nostalgia da minha infância, o mais legal do fliperama do cinema é que só tem máquinha velha, tipo Xevious, um campeonato de futebol da snk e metal slug (o um!), alêm de pinball e um jogo de corrida, que também era velho. Quando entrei, movido pelo hábito ancestral de jogar, me senti no passado, sozinho com as máquinas, lembrei de toda a minha pouca idade quando eu gastava o rico dinheirinho do meu não tão rico pai em fichas e mais fichas. Valeu a pena, hoje a minha acuidade visual é espantosa...
Sai do Fliperama e procurei a sala onde seria exibido o filme. "Sala dois", o Sr. sobe a escada e vira a esquerda.No segundo andar uma cena do além-cotidiano que merece nota: como pintura, eu vi a disposição das pessoas no pequeno hall antes da sala, eu fui para uma varanda enorme e fiquei observado a rua que estava deserta, virei para os lados e vi alguns casais de namorados, um senhor lendo um jornal e um rapaz fumando um Marlboro (o cheiro é inconfundível), tudo isso na varanda. Olhei com atenção o rapaz fumando o cigarro, estava só, bem só...
Voltei para a ante-sala e vi que as portas estavam abertas e as pessoas entrando.
Sentei na poltrona b6, bem de frente pra tela, bem no meio, a sala era pequena. O cheiro de cinema é único e eu adoro. Cheiro de pipoca misturado com carpete, insisto, adoro. Nesses 10 minutos que antecederam o filme me vi sozinho, sentado na poltrona b6, bem de frente pra uma tela de cinema apagada... quer quadro mais melancolico? era domingo à noite, a música ambiente era bem calma, meio "new age" (eu chamo de música de chill-out, trancers!), depois tocou um blues-grass bem texas city e depois não me lembro, mas lembro de ter achado as três musicas lindas, e sem dúvida foram três musicas como que três avisos, um preparativo pra sair da realidade por algumas horas e esquecer que eu tava sem grana, sem namorada, sem destino...
Apagou a luz.
Som de cinema é demais. Eu queria um em casa, emus vizinhos não. a tela iluminou e logo de cara fui golpeado com uma promessa. Trailer de um filme nacional (sou viciado) que parece ser dos meus; "ultima parada 174" , acho que era esse o nome, fala sobre um sequestro de ônibus no rio de janeiro há alguns anos. Depois vieram trailers da Múmia e da animação do star wars. O filme me tirou da realidade por 2 hrs e uns quebrados, fiquei completamento embriagado com a beleza da fotografia do filme, com a interpretação extraordinaria do finado Ledger e com o peso emocional da trama (um dia, com mais maturidade e conhecimento de causa escrevo só sobre o filme).
Quando terminou, nem esperei as luzes acenderem, não sei, seria duro demais pra mim voltar a realidade assim, de repente como quem acorda de um sonho divertido.
Sai da sala com as luzes apagadas, ouvindo a musiquinha dos créditos.
Sai do cinema e a cidade era mesma, mas estava bem mais silenciosa.
(Desculpem o execesso da palavra "melancolia" e sua variantes, mas eu queria mesmo reforçar essa idéia, se você se aborreceu com isso, desculpe, se sentiu-se triste ou vazio, desculpe.)
Tudo como antes, como sempre, tudo do jeito que eu deixei antes de entrar no mundo maravilhoso da ficção, da arte, da fuga.
Bem... estava mais frio.
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Poesia

Disseram-me "Não escreves há muito..."
E eu nada pude dizer
Apenas decidir, resoluto
Que apesar do orgulho absoluto
"Eu ainda consigo sofrer"
Em partes medidas, pensadas
Planejadas para esquecer
As horas felizes e amadas
Tenho certeza de que passa
Leva tempo, tempo leva
Leva dia
Leva mês
Leva ano
Leva vida
Consome vida
Tira um pouco do meus sorrisos futuros
Que nem por isso serão menos sorrisos
Mas serei velho e terei visto
Que dores vêm e vão
Ao sabor doce da ilusão
De que pode ser eterno
O sentimento que conforta
Quando só o(a) outro(a) importa
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Pai.

No inicio você descobre que seu pai
Não era o super-herói que você imaginava
Depois você descobre que seu pai
Não era o filha-da-puta que você pensava
Por fim você descobre que seu pai
Era só mais um cara...
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sábado, 19 de julho de 2008
Emocore.

Bem... Assunto delicado, mas sem dúvida extremamente engraçado (desculpem o eufemismo).
É possivel condenar Emocore? é certo queimar emos em praça pública? (SIIMMMMMMM,gritam alguns num côro uníssono), afinal, o que é e do que trata o emocore?
Vamos por os termos em ordem, primeiro, devemos entender que o emo é sim um movimento cultural, se merece respeito vai do bom-humor e santidade de cada um, mas que é um movimento cultural, ah isso é!
Um movimento cultural fabricado... mas ainda assim movimento de massa.
Massas de adolescente de todas as camadas sociais, de todas es etnias, de todas as crenças (respeitando, claro, as particularidades), um caldeirão surpreendente de várias maneiras inocentes e bobas de "ser" (Foi mal, galera...quem inventou o eufemismo?).
São todos uns jovem infantes lindos e vazios, como todo bom jovem infante PODE ser, a adolescência é pra isso mesmo, errar e cometer loucuras que mais tarde vão envergonhar.
É normal, comum... diria até vulgar. Eles (os emos) dizem que sofrem, que o mundo é isso, é aquilo, que ninguêm os compreende (essa é velha) e tudo mais, mas isso tudo é só um produto feito pra vender pra um mercado que só exige, vez por outra, algumas mudanças.
Foi assim na origem do rock, no psicodélico, no progressivo, no punk, no grunge e até no new-metal, chato é perceber que todos esses ai serviram ao mercado mas eram em maior ou menor grau movimentos originais.
O emocore não tem nada de original, de novo... nada que acrescente na história cultural do globo terrestre. O movimento emocore vai ser lembrado, acho, como o primeiro caso de reciclagem cultural-musical que deu errado, vendeu, mas deu errado.
Porque o emo não é legal, não traz nada de novo... vou provar.
Emos choram, mas chorar já era propriedade da humanidade desde o principio das éras.
Emos usam preto, atitude de todos os ramos do rock, em especial os Góticos
Emos dizem que amam todo mundo, ideologia defendida com sinceridade pelos Hippies (psicodélico e progressivo)
Emos usam muitos spikes, hábito antigo dos headbangers
Emos usam roupas extravagantes, penteados extravagantes e abusam de look "xadrez", copiando ostensivamente os clubbers
Emos dizem que querem morrer e adoram fingir suicidio, Alguem lembra de Kurt Cobain e compania? O bom e velho Grunge
Emos dizem quem amam meninos e meninas,que não ligam pra "rótulos" e assumem um visual meio andrógino, roubando violentamente três movimentos: Os hiipies, o glam rock e o gótico ( a maquiagem)
Emos copiam-se exaustivamente uns aos outros em tudo, só tirão foto em uma posição, assumem os mesmos nicknames e por ai vai, bem, isso é normal da adolescência...
Emos usam All-Star, privilégio de todo e qualquer capitalista, que foi muito usado pelos grunges (Ah... o xadrez também é marca do pessoal de Seattle)
Emos não tem um estilo musical próprio, a musica emo é hardcore modificado com algumas afetações, afeminações e afinações... o "pai" do emo é green day, que já foi uma puta banda de rock muito boa!! (saudades...)
Eu poderia enumerar mais uma série de coisas legais sobre os emos, mas já me cansei de falar sobre eles.
O fato é, não vamos deixar que nosso irmãos mais-novos fiquem mais alienados e chatos do que eles podem (e em alguns casos devem) ser.
O emocore é um produto da industria fonográfica, como outro qualquer, vai passar, só espero que os danos não sejam inrreversiveis.
Pra quem leu tudo isso, obrigado pela paciência.
Amu VoXeIxxxxxxxxx, MiGUxOs LInDOsssssssssssss
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Livre.

Por quanto tempo você consegue manter seus olhos abertos?
O quanto de ternura você sente quando beija alguêm de olhos fechados?
Ver, entender e compreender, etapas distintas de um processo complicado e vital que serve de base para um movimento muito complexo, porém extremamente harmônico.
Após tudo isso você assimila e depois de filtrar algumas preferências, forma a estância psíquica que você aprendeu a chamar de personalidade.
É esse palco confuso que move seus impulsos nas direções que você determina ou acredita determinar, dando ao bobo-alegre uma falsa impresão de poder, cada ser-humano é um "ser" que na verdade "está".
É Possivel ser algo que não se compreende, encerra e domina?
Papo-cabeça? baboseira sem-sentido? talvez... nada do que foi escrito é novo, bem... é totalmente original a maneira como eu coloco os termos para o amado leitor, mas isso não significa dizer que o que foi escrito será compreendido.
Eu queria mais, eu queria que o nosso sagaz leitor fosse absorvido pela idéia de que tudo que ele acredita é um jogo de montar sádico criado por um entidade maior que nós para nos fazer esquecer que nós somos o principio.
E o fim...
Se nós fomos montados por um conjunto de saberes-comuns da nosso acordo social, o que nos impede de escolher que peças formarão nosso mosaico? o espelho sempre estará quebrado, mas o reflexo pode ser menos deprimente.
O que nos impede de ser livres?
Abre os olhos enquanto beijas,senhor! O mundo continua acontecendo sem rumo
à despeito dos teus sonhos de papel.
Se-me-quer...

Bem-me-quer... Se me queres, há de ser bem
Porque não há desejo ou querência
Que se preste à ardência
Dos olhos meus quando a cólera vem
Mal-me-quer... Que de mal, só mágoa
De uns dias cheios de sol
Mas luz agora, só de farol
Iluminando meu lamúrio e água
Bem-me-quer... Me queres hoje? inteira?
Como aos goles deseperados de vinho
Para perder-me no teu terno preto, de linho...
E ao amanhecer, levar minh'alma n'algibeira?
Mal-me-quer... E teus gritos são de clamor
Por uns segundos de mar sem tua lembranças
Que por serem ingênuas, brincam como crianças
De ciranda em ciranda, chorando em teu louvor.
sábado, 12 de julho de 2008
Melancolia ®
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Manhã de Quinta ®

A festa nunca termina, isso é fato, mas se houvesse uma única maneira, uma única chance de escapar de todo barulho desnecessário para pensar, porêm necessário para esquecer,o que eu faria?
E não só eu, você tambêm...
Muito simples de entender, pouco á vontade para encarar os fatos, seja depois ou no ato da compra, fútil, de um balaio de idéias velhas, sem-sentido, desconexas, bregas, enfim... toda a sorte de lixo conceitual que a minha amada sociedade de consumo vem criando somente,e tão somente para justficar sua fome voraz e seu vazio escandaloso.
Porque eu sofro? a pergunta é essa mesma, nessa forma, desse jeito, à queima-roupa, um monumento à colossal cegueira dos meus patricios e dos patricios daqueles que moram em outros paises, ou seja, uma estátua de latão em louvor à burrice de todo o globo terrestre. Essa pergunta devia estar estampada em todo lugar, escrita em todos os jornais, nas caixinhas de leite, até mesmo nos rolos de papel-higiênico, que mesmo sendo abnegados guardiões do asseio particular são motivo de vergonha e um falso-pudor sem noção de ridiculo.
O mesmo se dá com as canetas esferográicas, ninguem lhes dá o valor merecido.
Por outro lado, a pilulas anti-concepcionais são supervalorizadas... e com toda razão e propriedade.
Voltando ao manifesto contra e à favor da minha, da sua, da nossa rica ignorância, pergunto aos demais e aos de menos: de onde vêm os motivos e objetivos do ato senil de sofrer? porque? alguêm pediu isso? se a culpa é dos nossos ancestrais, me digam onde eles estão enterrados que eu os exumarei pessoalmente e queimarei seus restos (se houverem restos) em praça pública.
Afinal, a praça é do povo como o céu é do condor, não é mesmo?
Eu aprendi a sofrer com a televisão, mesmo quando eu tinha só quatro aninhos, quando era apenas uma promessa de fracassos sucessivos das mais diversas instituições falidas, quando era apenas um anjo de candura, eu brincava perto da maldita televisão e ouvia inconcientemente todas aquelas baboseiras típicas da novelas da globo e dos filmes do tio Sam. E ficando com todos aqueles discurssos patéticos e nocivos na cabeça, gravados dentro da minha mente em uma fita VHS que, para minha extrema felicidade, está mofando, eu cresci tendo como referêncial e parâmetro de atitudes e posturas esses valores moldados que me impelem a achar bonito sofrer, a acreditar que existe razão em sofrer, a gostar da piedade alheia (igreja católica, muito obrigado!)que só me atrapalham nesses meus dias de saco-bem-cheio e vontade de ter meu "Um dia de fúria" (obrigado Michael Douglas!)
Por tudo isso, vejam só vocês...
Termino com minha namorada e a primeira coisa que me dá vontade de fazer é contar pra alguêm, comer chocolates, tomar cerveja e jogar sinuca.
Ps-Esta é uma obra de ficção, sem nenhuma relação com os "postadores" (adoro esses neologismos de bêbado) deste magnífico blog. ®
domingo, 6 de julho de 2008
Azul ®

A bondade de fazer-se assim tão descarada
Com toda sem-vergonhice típica de quem não tem sequer a desfaçatez de negar a si mesmo.
A bondade absoluta de abrir-se assim dessa maneira tão pobre, sem artifícios,
é tudo tão somente redenção.
Eis que o dia amanheceu e embora não gostasse do azul,
era azul definitivo esse sentimento hediondo.
Indulgência tão temida.
Ela é azul e eu vejo.
Indiscutivelmente azul esse sentimento tão libertador que me prende. ®
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Confusão. ®

O reino do dia sequinte
Meus castelos com paredes do amanhã
Labirintos de outrora
Perdição dos dias apôs vários dias
A noite depois da semana
O copo de café sem café
A noite mal-dormida
Meus rios de aurora
O reino de copas
Campos de trigo não semeados
O copo de café quebrado
A casa assombrada
A noite não dormida
Perdição da neve sobre várias flores
E dias são só dias
E meses são só meses
E anos são só anos
E nem entro, nem saio
Nem caio...
Nem reflito...
Só conflito...
Só conflito...®
Não vou falar mais de amor. ®
Vejo o descompasso mudo e sem regras
De uma vida insana que teima em partir
São horas eternas as horas que passam
Ante meus olhos tão cheio de dor
E sinto que tremem meus olhos eternos
Ao fogo que forja os raios de sol ®
Nota: Eu nunca comento sobre minhas poesias, mas acho que essa vale a execeção.
Essa poesia foi originalmente concebida em uma declamação, a musicalidade dela é linda e por isso mesmo eu não consegui continuar escrevendo.
Um dia eu termino.
Cel-ebração. ®
Meio-dia...
Tudo fica parado e complexo
Nem o vento se atreve a correr
Nem a morte se atreve a morte ser
Nem num palco, nem num reflexo
Hoje é o dia, a hora é chegada
Os risos serão livres
Os gritos serão livres
Os beijos já o são
Mas agora serão o que vives
O todo vira um todo cinza
Preto-e-branco, meios-tons e degradê
Que só percebe quem chora e crê
Que amar é mais promessa que sina
Hoje é o dia, a hora é chegada
Apôs minutos de dúvida e silêncio
Fez-se a cor, fez-se o som
Não meio-tons, mas tons inteiros!
Alivio imediato e verdadeiro
Explosão de alegria e dasabafo
Todos na rua...
Todos cantam...
Todos loucos...
Todos fazem promessas de amor eterno...
Todos fazem juras de dias melhores...
Todos em laço, abraço sincero
todos multidão...
Todos nação...
Todos canção...
Celebração...
Recomeço...
Hoje é o dia e a hora é chegada.®
Tudo fica parado e complexo
Nem o vento se atreve a correr
Nem a morte se atreve a morte ser
Nem num palco, nem num reflexo
Hoje é o dia, a hora é chegada
Os risos serão livres
Os gritos serão livres
Os beijos já o são
Mas agora serão o que vives
O todo vira um todo cinza
Preto-e-branco, meios-tons e degradê
Que só percebe quem chora e crê
Que amar é mais promessa que sina
Hoje é o dia, a hora é chegada
Apôs minutos de dúvida e silêncio
Fez-se a cor, fez-se o som
Não meio-tons, mas tons inteiros!
Alivio imediato e verdadeiro
Explosão de alegria e dasabafo
Todos na rua...
Todos cantam...
Todos loucos...
Todos fazem promessas de amor eterno...
Todos fazem juras de dias melhores...
Todos em laço, abraço sincero
todos multidão...
Todos nação...
Todos canção...
Celebração...
Recomeço...
Hoje é o dia e a hora é chegada.®
sábado, 21 de junho de 2008
Poeticidade impregnada.®
E se fosse prosa
Mais suave amor
Misturar nossos tons de vermelho borrado
Tornar tudo cor-de-rosa?
E se fosse prosa amor
Se a gente juntasse a poesia tua
A poesia minha,fizesse uma prosa poética
De coisas tão lindas
De felicidade infinda
Se fosse prosa amor
Talvez não fosse eu
Talvez não fosse você
E versando assim eu sigo amando
E mesmo se não mais amasse
Deixava de te amar amando
E assim versando
Sigo de cá e tu de lá
Como quem divide a cama
Como quem divide a alma
E assim a gente se encontra
No gosto do verso
Na poesia nossa de cada dia
No abraço que ficou faltando
No sussurro de eu te amo
Na minha viagem
Nos teus planos
Eu atriz e tu cantando
Um amor assim de sonho
Assim de clássico
Assim romântico
Teu estilo noir nos meus desejos hollywoodianos
Your Lady mi amor
E nessas diferenças uma soma tão bonita
Uma cena
Uma dança
Num teatro com palco italiano
Desse meu jeito Stanislaviskiano
A tua leitura em silêncio
A minha verborragia
Tua mão nos meus cabelos
Minha boca na tua
A minha vodka pura
A tua caipirinha
Overdose de açúcar
Excessivamente poéticos
Versando maluquices
Sangrando à cada estrofe
De sonetos desnudos
Assim descarados que entregam
Todas essas sentimentalidades
Montando assim nosso drama
Que tu bem sabes,gostamos
Atores, que nós dois somos
Oscilando entre a valsa e o tango
Poetas,assim tristes,assim felizes,assim amando.®
Mais suave amor
Misturar nossos tons de vermelho borrado
Tornar tudo cor-de-rosa?
E se fosse prosa amor
Se a gente juntasse a poesia tua
A poesia minha,fizesse uma prosa poética
De coisas tão lindas
De felicidade infinda
Se fosse prosa amor
Talvez não fosse eu
Talvez não fosse você
E versando assim eu sigo amando
E mesmo se não mais amasse
Deixava de te amar amando
E assim versando
Sigo de cá e tu de lá
Como quem divide a cama
Como quem divide a alma
E assim a gente se encontra
No gosto do verso
Na poesia nossa de cada dia
No abraço que ficou faltando
No sussurro de eu te amo
Na minha viagem
Nos teus planos
Eu atriz e tu cantando
Um amor assim de sonho
Assim de clássico
Assim romântico
Teu estilo noir nos meus desejos hollywoodianos
Your Lady mi amor
E nessas diferenças uma soma tão bonita
Uma cena
Uma dança
Num teatro com palco italiano
Desse meu jeito Stanislaviskiano
A tua leitura em silêncio
A minha verborragia
Tua mão nos meus cabelos
Minha boca na tua
A minha vodka pura
A tua caipirinha
Overdose de açúcar
Excessivamente poéticos
Versando maluquices
Sangrando à cada estrofe
De sonetos desnudos
Assim descarados que entregam
Todas essas sentimentalidades
Montando assim nosso drama
Que tu bem sabes,gostamos
Atores, que nós dois somos
Oscilando entre a valsa e o tango
Poetas,assim tristes,assim felizes,assim amando.®
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Terço®
Um terço de mágoas, contas quentes...
Então me conta, como te sentes?
Colar entre ossos e dentes...
Vazio febril entre meus olhos e as lentes.
Guardiões de vidro que me protegem
Levam de mim o rancor e a dor
E por ser tolo e acreditar no amor
Condene-me e deixem que me ceguem
Ponho-me à andar e refletir
Se é verdadeiro sorrir
Quando não há para onde ir
E tudo que te resta é fingir
Que se faça o silêncio
E apaguem a luz
Que se faça o silêncio
Shhhh...®
Então me conta, como te sentes?
Colar entre ossos e dentes...
Vazio febril entre meus olhos e as lentes.
Guardiões de vidro que me protegem
Levam de mim o rancor e a dor
E por ser tolo e acreditar no amor
Condene-me e deixem que me ceguem
Ponho-me à andar e refletir
Se é verdadeiro sorrir
Quando não há para onde ir
E tudo que te resta é fingir
Que se faça o silêncio
E apaguem a luz
Que se faça o silêncio
Shhhh...®
Ela não se importa, nem merece.
Ando debaixo de chuva
Sob chuva, minhas lágrimas...
Se confundem com as gotas pesadas
Que machucam meu corpo
Quente e debilitado
Meu corpo anda só
Debaixo de chuva, sem rumo...
Sem ambição...
Meu reflexo é miséria absoluta
E minha crise de ciúme é resoluta
Que a tua pele vermelha
Me causou...®
Sob chuva, minhas lágrimas...
Se confundem com as gotas pesadas
Que machucam meu corpo
Quente e debilitado
Meu corpo anda só
Debaixo de chuva, sem rumo...
Sem ambição...
Meu reflexo é miséria absoluta
E minha crise de ciúme é resoluta
Que a tua pele vermelha
Me causou...®
O que te parece?®
Se eu passo em horas espaçadas
Ao passo que me refaço e acho
Que meu sorriso é mais bonito com o teu
Que o despertar é mais teu do que meu
De olhos baixos e mãos no bolso
Algumas moedas entre dedos
Entre trânsito, caos e muitos medos
Dispara sem dó o alarme falso
Seis da tarde,nasce o por-do-sol
A fumaça tem um todo avermelhado
Eu nem fumo mais e ainda estou cansado
Prêmio de um campeão derrotado
Seis e um, morre o por-do-sol
Passos incertos em horas inseguras
Ao passo que me refaço e escracho
Que minha vergonha é melhor que a tua
Que a culpa das dores, é minha... não sua...®
Ao passo que me refaço e acho
Que meu sorriso é mais bonito com o teu
Que o despertar é mais teu do que meu
De olhos baixos e mãos no bolso
Algumas moedas entre dedos
Entre trânsito, caos e muitos medos
Dispara sem dó o alarme falso
Seis da tarde,nasce o por-do-sol
A fumaça tem um todo avermelhado
Eu nem fumo mais e ainda estou cansado
Prêmio de um campeão derrotado
Seis e um, morre o por-do-sol
Passos incertos em horas inseguras
Ao passo que me refaço e escracho
Que minha vergonha é melhor que a tua
Que a culpa das dores, é minha... não sua...®
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